quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

DEUS NOS FAZ TRIUNFAR EM TODAS AS SITUAÇÕES



Olá, amigas! Que a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde os seus sentimentos e o seu coração em Cristo Jesus!

Depois de uma cobrança em público por uma amada leitora que nos acompanha, resolvi retomar com vocês aqui em nosso blog Mestras do Bem. E que alegria cada dia buscarmos aprimorar aquilo que é bom, aquilo que traz contentamento, que proporciona paz, o que nos leva a sentir satisfação! São as misericórdias do Senhor nosso Deus, o Autor da vida, que nos permitiram ver findar um ano e adentrarmos em outro, inteiras, com a fé viva e dizendo: “Deus guardou a minha entrada e, seguramente, guardará a minha saída, durante mais esse trajeto que está vindo adiante”. Não sabemos como será, mas, certamente, como diz o sábio: “Confia ao Senhor as tuas obras e os teus planos serão estabelecidos” (Pv 16.3). Acho lindo como diz a NVI (Nova Versão Internacional): “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem sucedidos”.

Quando confiamos ao Senhor os nossos projetos, podemos ficar sossegadas, pois como Ele é Deus Onipotente e Onisciente, e conhece nosso futuro, os detalhes que nós não vemos e não sabemos, tudo pode e tudo vê, Ele cuida, Ele livra, Ele protege, Ele orienta. Então, “que diremos nós”, disse o apóstolo Paulo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. E ainda ele ratifica: “Mas em todas as coisas somos mais que vencedores, por meio daqueles que nos amou. Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação, será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.31-39 – NVI).

Paulo queria dizer que nenhuma tribulação, sofrimento ou qualquer dificuldade é capaz de fazer separação entre nós, você e eu que amamos a Jesus, e o nosso Salvador, pelo contrário, essas adversidades nos aproximam mais dEle. Com grande fé, a mestra do bem Corrie Tem Boom, quando estava numa prisão, lembrou-se do que está escrito em 2 Coríntios 2.14 e disse a si mesma: “O Senhor é o grande conquistador e Ele é capaz de conduzir você ao triunfo em todas as situações”.

Que possamos seguir o exemplo de muitas Mestras do Bem, que amaram a Jesus acima de qualquer circunstância. Sigamos gratas a Deus pela Sua bondade e misericórdia sobre nós, suas filhas, amadas, queridas e protegidas por Ele.


Meu abraço!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Três Conselhos para o bem viver




Ser pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para irar-se (Tg 1.19). Que palavras sábias do apóstolo Tiago!  

Quantos de nós falhamos no cumprimento dessa premissa! Ser predisposto a ouvir é de crucial importância. Assim como o falar, o ouvir é uma arte, pois quando ouvimos bem, como consequência pensamos antes de falar, ponderamos as palavras. 
Quando isso ocorre, torna-se dificil esse momento de interação com o outro terminar em ira, contenda e incompreensão. Esses conselhos são, na verdade, lições  que servirão para toda a vida. 

O primeiro conselho: “seja pronto para ouvir” quer dizer que devemos estar disponíveis para ouvir, ser diligente ao escutar, ouvir antes de falar. Será que agimos assim? Como você  ouve seu cônjuge? E os seus filhos? Você escuta sua família  na mesma intensidade que empresta seu ouvido a um amigo ou mesmo a um estranho? Falar antes de ouvir é estultícia, disse o sábio.

O próximo conselho é: “seja tardio no falar”. Essa expressão sugere que além de ouvir mais, devemos falar menos! Mais uma vez, não é exatamente o contrário do que  costumamos fazer? Quando apreendemos esse conselho nos disciplinamos e seguramente não colocamos a nossa alma em angústia. O sábio disse: “O que guarda a boca e a língua guarda das angústias a sua alma” (Pv 21.23). 

O terceiro conselho é a consequência da prática dos dois primeiros: não irar-se. Coloque em seu coração ouvir mais e falar menos. Tome essa decisão e sua  vida melhorará. Essa atitude faz com que sejamos mananciais de bênçãos tanto para aqueles que nos cercam como para os que estão mais longe.

O resultado disso tudo é uma vida abundante, transbordante de alegria, um coração sem ira e cheio de paz.

Meu abraço

terça-feira, 5 de junho de 2018

Uma palavra de gratidão - 17º Congresso de Mulheres em Pernambuco



Paz do Senhor, queridos!

Depois de 4 dias de intensa atividade, posso dizer que o Senhor é fiel.

Ele é fiel porque não nos deixou sozinhas quando todas as circunstâncias ao nosso redor nos diziam que teríamos um ano atípico, com pouca participação devido aos últimos acontecimentos em nossa nação.

Ele é fiel porque derramou sua graça em cada dia, em cada ministração, louvor e orações. Sua mão esteve sobre nós e pudemos nos reabastecer num país vazio e conturbado.

Ele é fiel porque fez com que cada peça da grande engrenagem funcionasse perfeitamente: cultos, coral, visitantes, rede de comunicação, cantina, dormitório, recepção... Deus usou cada irmão, inclinando corações para o serviço de seu Reino.

Ele é fiel porque prometeu que estaria conosco todos os dias, e não nos deixou nem um segundo sequer. Ele nos sustentou dando-nos vigor para estar em Sua presença durante esses dias.

Eu agradeço ao meu bom Deus tantas vitórias recebidas. E sinceramente espero que Ele recompense cada irmã que pela fé se dirigiu ao templo para ouvir de Deus a Sua Palavra.  

O 17º Congresso de Mulheres em Pernambuco se foi e nos deixou um legado de compromisso com a geração que nos sucederá. A fé que influencia gerações precisa estar sempre acesa, independente da situação. Essa é a maior herança que podemos deixar para nossos filhos.

Que Deus nos abençoe!



"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
Romanos 11:36













sábado, 12 de maio de 2018

Ser mãe



Ser mãe e cuidar dos filhos é certamente o trabalho mais importante do mundo...

Mães não se formam nos grandes centros acadêmicos ou profissionais...
Mães nascem da vida, do desejo profundo de dar valores eternos à existência de outros...

Toda grande personalidade tem uma história de amor com sua mãe...
Para cada Isaque há uma Sara, para cada Samuel uma Ana, para cada Moisés há uma Joquebe e para cada Timóteo uma Eunice...

Deus deu às mães uma perspicácia para entender as sutilezas das crianças ao mesmo tempo em que sente dentro de si o compromisso vital de tornar aquelas pequenas criaturas, homens e mulheres de bem.

Elas entendem que seus filhos são como um jardim. O jardim precisa da água, que é a ternura, o abraço, o afeto, o perdão, o amor... 
Mas precisa também da capinagem, que é a disciplina, a correção amorosa, os limites, a restrição dos impulsos carnais...
Crianças que são podadas e regadas crescem mais e com mais valor. 

Boas mães são sempre o mais valioso bem do filhos, da família, da nação... 
Sem elas todo esforço humano seria vazio. 
Sim, tudo o que existe no mundo, existe porque há mães que cuidam, que protegem, que alimentam, que dedicam suas vidas na formação de crianças.

Cada mãe é única para seu filho... 

Por isso, mãe, nesse dia eu peço para que você avance o filme de sua vida: veja-se no final dela, já idosa, sem forças para desempenhar trabalhos, ou empreender projetos. Coloque-se lá e pergunte a si mesma: o que terá sido mais importante?

Com certeza diremos que foram os anos em que geramos, os anos em que fomos mães, os anos em que ensinamos as verdades eternas...
Deus nos deu o "direito de primogenitura" na criação de nossos filhos... 
Não deixemos, pois, que os valores efêmeros da vida roubem de nós aquilo pelo qual nos regozijaremos ao envelhecer, ou, roube a nossa alegria e coroa na eternidade...

Quando recebemos um filhos em nossos braços, recebemos de Deus um recado que diz: eu confio em você. Você é a pessoa que escolhi para conduzir este menino a Mim.

Cumpramos essa nobre missão com a mesma fé das mulheres do passado. O dia chegará em que diremos: "Eis-me aqui, Senhor, com os filhos que o Senhor me deu".

Deus conta conosco. Deus conta com você. 

Feliz dia das mães! 

(Judite Alves)









domingo, 6 de maio de 2018

Nossa luta é contra o próprio ego



A temperança está ligada a uma vida de renúncia, de disciplina e de freio. Paulo, referindo-se à sua luta pessoal se expressou: “Pois assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo a servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha ser reprovado” (1 Co 9.26-27).

Essa é a nossa luta, amada, lutar contra nós mesmas, nossos desejos, nosso temperamento. Sua maior luta é consigo mesma; a sua cruz não é seu querido marido, não são seus lhos, nem tampouco seus irmãos. A sua cruz é você mesma, e você a tem que levar diariamente. Para onde quer que for, o seu ego, seu eu, a acompanha. É como o casco da tartaruga: para onde ela vai, tem que levar o casco. Assim somos nós.

Eu interpreto as palavras do apóstolo aos coríntios da seguinte maneira: “Em vez de espancar alguém, ferir a alguém, eu devo brigar ou combater comigo mesmo, a m de que Cristo cada dia seja glorificado na minha vida através de minhas atitudes, ou seja, do meu modo de agir, o meu comportamento diante de determinada situação, o meu modo de atuar no mundo deve refletir a glória de Deus”.

Alguns comentaristas pontuam que, quando Paulo fala na luta, essa metáfora “esmurro meu corpo”, refere-se aos movimentos do boxe, que de acordo com o original grego significa que ele dirigia seu golpes contra ele mesmo a m de derrubar-se. Derrubar seu corpo, seus apetites carnais, seus desejos desviados, que queriam derrotá-lo em sua vida espiritual. O domínio próprio é muitas vezes dizer não a você mesmo, e sim para Deus. Outras vezes, é dizer sim para você e sim para Deus.

Como exemplo, podemos citar Davi, que exercitou o domínio próprio em alguns momentos de sua vida, como quando, certo dia, teve a oportunidade de matar o rei Saul. O autodomínio levou-o a dizer: “Não faça tal” (1 Sm 24.7,9). Mas, em outra ocasião, infelizmente ele não se dominou: quando viu Bate-Seba banhando-se, logo a tomou como mulher, adulterou e ainda ordenou o homicídio do marido dela. Oh, querida! Devemos estar sempre cultivando o domínio próprio, porque podemos em um minuto, por falta dele, arruinar toda a nossa vida.


(Judite Alves, trecho do livro A Mulher e a Frutificação)

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Você é resoluto?




“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos corações sábios” 
(Salmos 90.12)

O fim de mais um ano chegou e um novo ano nos espera. É claro que o novo sempre nos deixa apreensivos de certa forma, pois a expectação do futuro é sempre acompanhada de certa ansiedade. É com razão que dizem que o futuro a Deus pertence. Não o conhecemos, nem podemos controlá-lo, ainda que seja uma realidade iminente e inexorável. E como não temos domínio do futuro, Moisés nos conclama a usarmos nossas experiências passadas e presentes com o fim de no futuro recebermos seus dividendos. E não há nada melhor, para o início do próximo ano, do que colocar no topo de nossa lista de resoluções esta oração de Moisés.

Em outras passagens encontramos afirmações que seguem esse mesmo princípio: a Palavra nos diz que aquele que confia ao Senhor as suas obras, tem fé de que Deus é poderoso para cumprir as promessas e até com o desejo do coração. O sábio fez uma colocação certeira ao dizer: “confia ao Senhor as tuas obras, e os teus planos serão estabelecidos” (Pv 16.3). Numa outra versão lemos o seguinte: “Entregue ao Eterno o comando do seu trabalho, e o que você  planejou dará certo” (Bíblia de Estudo A Mensagem). E em outra tradução, na NTLH, lemos o seguinte: “Peça a Deus que abençoe os seus planos, e eles darão certo”.

É comum que na última semana do ano se faça algumas resoluções para o ano vindouro. Planejamos e planejamos, e às vezes colocamos tantas metas em nossas listas que não dá para as cumprir cabalmente. Eu mesma me deparei esse ano com aquelas resoluções que fiz no final do ano passado e muitas delas não foram atingidas. Porém, nem por isso deixarei de me planejar para o ano vindouro, e eu até tenho por meta pôr como prioridade as metas não-cumpridas neste ano de 2017. 

Essas resoluções são uma espécie de balanço que fazemos do nosso dia a dia, e baseadas neste balanço, organizamos as metas para o futuro. Mas devemos colocar todas essas resoluções nas mãos do Senhor, pois somente Ele pode nos dá sabedoria para tal escolha e prática. De fato, nem tudo o que planejamos Deus aprova, e é disso que fala a oração de Moises: ensina-me a contar os meus dias, ou seja, ensina-me a definir minhas prioridades, minhas metas, e se algo sair mal, mostra-me o que é melhor, Senhor! Seguramente, Ele nos responderá: “Até à velhice Eu serei o mesmo, até às cãs eu vos carregarei” (Is 46.4). 

Aqui estão algumas resoluções que acredito que poderão ser úteis a você, assim como foram úteis para mim. É um desafio, mas com a ajuda de Deus conseguiremos atingir a meta.

  • A cada dia farei meu devocional, terei meu momento de oração em que falarei com Deus e Ele falará comigo;
  • Serei uma frequentadora assídua de um círculo de oração e, dentro do possível, não perderei os cultos;
  • Visitarei uma vez por semana um enfermo ou um necessitado;
  • Vou orar pelos que me perseguem e pedirei a Deus misericórdia por eles.
  • Tirarei tempo para dar assistência à minha família (marido, filhos e casa);
  • Cuidarei do meu corpo que é templo e morada do Espírito Santo.
  • Farei meus exames de rotina.
  • Procurarei em tudo que fizer glorificar o nome do meu Deus;
  • Ajudarei aquele que chegar junto a mim com alguma necessidade;
  • Buscarei imitar a Cristo em tudo o que fizer, como um filho amado;
  • Nunca darei lugar à cobiça nem à desonestidade;
  • Cumprirei um plano anual de leitura bíblica e farei outras boas leituras nos momentos livres;
  • Não perderei meu tempo livre com programas que não me edificam, nem em rede sociais, desperdiçando palavras em conversas sem objetivo;
  • Procurarei agradar ao meu Senhor em tudo e Fl 4.6-8 será o meu texto áureo.

Talvez, ao ler essas resoluções, você questione se elas se adequam à você. Mas elas são como um modelo para que você faça as suas próprias metas. Eu tenho muito mais metas, além dessas. Para saber preparar as suas, sugiro que pergunte a sim mesma: “o que quero para este novo ano? O que Deus quer de mim? E, por último, o que posso fazer ou dar ao Senhor?”. Se conseguir responder a essas três perguntas, você saberá fazer suas resoluções. Se tiver qualquer dúvida, nos procure pelo email, e na medida do possível responderei. 

Deus nos ajuda a atingirmos essas metas, aliás, Ele é o maior interessado em realizar os desejos do coração que se alinham à vontade dEle. Deus conta com você para que seja organizada, disciplinada e diligente. E aqui estão algumas dicas que podem lhe ajudar no processo de se manter na linha, enquanto atravessa os dias, é uma forma de vigilância quanto às resoluções para o ano novo.


1. Ore cada dia pedindo sabedoria ao Pai para cumprir as resoluções daquele dia.

2. Dê uma olhada na relação das resoluções e anote a hora que serão realizadas durante o dia. Exemplo: minha primeira resolução é o devocional, então eu preciso planejar qual o melhor horário e reservar aquele tempo.

3. No final de cada dia faça uma avaliação do seu desempenho, anote o que deixou de fazer, o que fez pela metade, se perdeu tempo em coisas supérfluas.

4. Tire proveito de seu dia, viva cada dia com fé, graça e alegria do céu. Fazendo assim você será um instrumento de benção no seu lar, na igreja e na sociedade.

5. Procure não acumular coisas amargas no coração, tais como ressentimento, ira, insatisfação, pois são cargas que podem nos levar ao adoecimento.

6. Exercite o perdão, se não tiver forças para perdoar, peça a Deus e Ele lhe dará.

7. Enfim, viva cada dia como se o Senhor estivesse voltando. Pense em como será esse encontro. O meu desejo é receber as boas-vindas : “servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor”. 



Que Ele nos ajude a sermos fieis. O próprio Jesus disse: “quando o Filho do homem vier, achará fé na terra?”. Que não nos encontremos no grupo dos incrédulos! Vivamos por fé neste novo ano e não por vista, destarte aprofundemos nossa comunhão com o Pai e com os que nos cercam, pois este é o desejo de Deus. Assim, frutificaremos onde Deus nos tem plantado. A vida passa rápido, e só temos uma oportunidade de vivê-la. Viva com fé, guardando tesouros na eternidade. Faça escolhas das quais não venha a arrepender-se mais tarde. Coloque-se diante de Deus e Ele lhe ajudará no novo ano.

Deus abençoe o ano de 2018! Deus abençoe a sua vida!


Sua conserva,

Judite Alves

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Que boa herança recebemos da Reforma?




Hoje comemoramos 500 anos da Reforma Protestante. No século XVI, Martinho Lutero lançou seu apelo à reforma da Igreja. Ele afixou à porta da igreja de Witenberg 95 teses, cujo teor resume-se nos cinco pilares da reforma: Sola Gratia (a salvação é somente pela graça), Sola Scriptura (a crença cristã é baseada somente nas Escrituras, não nas tradições estabelecidas pela Igreja); Sola Fide (os cristãos são justificados - trazidos a uma relação correta com Deus - pela sua fé, não as suas boas obras), Sola Christus (Cristo é suficiente no processo de salvação, e homem algum pode ser salvo por si mesmo), Soli Deo Gloria (a glória é dada somente a Deus). Ele ensinou também sobre o sacerdócio de todos os crentes (todo cristão - do povo ou do clero - tem uma vocação à santidade e ao ministério).

Não podemos passar essa data sem que falemos dos benefícios que recebemos, como igreja, dessa tremenda mudança no curso da história da igreja cristã. Aqui estão alguns pontos que quero destacar, dando ênfase ao que toca a vida da mulher. Ela também faz parte da Reforma. Vejamos:


1. VALORIZAÇÃO DAS ESCRITURAS. A leitura da Bíblia deve ser realizada a partir de Jesus Cristo. Essa compreensão é fundamental para a atuação das mulheres. Jesus minou os abusos da cultura judaica, tratando as mulheres com grande respeito e dignidade. Vejamos: 

Ele falava às mulheres (Jo. 4.1-27);
Ensinava-as (Lc 10.38-42);
Discutia verdades teológicas (Jo. 11.21-27 e os citados acima);
Viajava com elas (Lc 8.1-3);
Aceitava o suporte financeiro e ajuda ministerial delas (Mc 15.40, 41 / Lc 8.3);
Usava-as como exemplo em seus ensinos (Mc 12.41-44)

Ele desafiou, desta forma, a cultura que menosprezava as mulheres, dando-lhes dignidade. A Reforma, por seguir os padrões das Escrituras, também valorizou as mulheres em suas atividades, abolindo todo preconceito que havia contra as mulheres, incentivando-as a estudar, a casarem-se e a ensinarem seus filhos.


2. MINISTÉRIO
Com a Reforma, a convicção de que ministério é um chamado de Deus para responder às necessidades da Igreja em todos os tempos, valorizou todos os serviços prestados a Deus, mantendo as distinções de papeis em determinados ofícios ministeriais. Dentro da concepção protestante, especialmente o sacerdócio geral dos crentes e a pregação do Evangelho assumem relevância. Portanto, com a Reforma, houve uma correta compreensão dos ministérios na igreja.

3. TRABALHO FEMININO.
Lutero enfatizou a ética do trabalho (Berufsethik), sustentando que todo trabalho é digno e tem igual valor. Não somente o trabalho espiritual agrada a Deus, mas todos os trabalhos são importantes; isso engloba, também, o trabalho cotidiano e normal das mulheres. Um texto muito importante de Lutero é o livro “Da Liberdade Cristã” (20 de novembro de 1520). As teses principais desse escrito dizem que “o cristão é um senhor libérrimo sobre tudo, a ninguém sujeito” e que “o cristão é um servo oficiosíssimo de tudo, a todos sujeito”. A primeira tese é válida “na fé”; a segunda, “no amor”. Esse tratado também encorajou as mulheres a assumir a sua própria forma de viver a vida, e assim muitas deixaram de viver enclausuradas no convento. Com este ensino, foi que as sociedades floresceram e nações prosperaram.

Lutero prezava a mulher como educadora dos filhos, pois considerava esta tarefa “a obra mais nobre e preciosa do mundo” (1). Ele diz que pai e mãe são responsáveis pela educação.

Isso foi especialmente importante naquela época, pois havia duas classes de mulher: a mulher celibatária, cujo status religioso era considerado o mais elevado e perfeito, e a mulher casada, considerada um ser de segunda classe. Numa procissão, por exemplo, as mulheres formavam o último grupo, e, durante certos períodos, como da menstruação e da gravidez, não podiam participar da ceia da comunhão, nem frequentar a igreja. A Reforma mudou esses conceitos.

4. INCENTIVO AO ESTUDO
Além de serem incentivadas e valorizadas nos seus trabalhos domésticos, as mulheres foram estimuladas a aprender a ler, para lerem a Bíblia. Encontramos registros na história de inúmeras mulheres reformadas que se tornaram escritoras, teólogas, professoras de línguas antigas, regentes, intelectuais, compositoras. Visto que a educação era importante para meninos e meninas, Lutero empenhou-se pela criação de escolas para ambos os sexos.

5. SUBMISSÃO FEMININA
Lutero afirmava que a mulher era subordinada ao homem, tendo como tarefa principal gerar e criar filhos. Seu meio de influência ficaria restrito à sua casa, e não caberia a ela intrometer-se em questões políticas ou eclesiásticas. Claro, ele tinha por base a doutrina bíblica paulina da subordinação da mulher, e a ordem da criação (Ef 5.24 / Gn 2.7 / 1 Tm 2.13).

Isso, contudo, não quer dizer, absolutamente, que Lutero e as ideias da Reforma, menosprezavam a mulher. Ele escreveu cartas à sua esposa Katharina, e nelas ele também pedia sua opinião sobre questões político-eclesiásticas. Não obstante ser de opinião que uma mulher não é capaz de exercer liderança política ou eclesiástica, ele escreveu a algumas mulheres regentes, como Maria da Hungria e Catarina da Saxônia, que continuassem a promover a Reforma em seu território.

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O verdadeiro cristianismo, então, valoriza a mulher, ainda que não lhe atribua um status semelhante ao do homem, como erroneamente defendem os feministas evangélicos.

Com isso concluímos que onde quer que o Evangelho chegue, haverá uma valorização dos mais frágeis, como mulheres, crianças, idosos, debilitados, órfãos e viúvas. A Reforma trouxe o olhar das pessoas para a leitura da Bíblia sob a perspectiva do Evangelho, ou seja, Jesus é o modelo de tratamento que devemos dispensar a toda pessoa. Começando por Cristo, os demais apóstolos valorizaram o papel da mulher tanto na família como na igreja. 

Que possamos ser como Lutero em nosso tempo: combatendo tudo o que se levante contra a Palavra de Deus.

Soli Deo Gloria!

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Judite Alves

domingo, 22 de outubro de 2017

Cem anos das misericórdias do Senhor sobre a vida de uma mulher!

Ontem vivemos um momento único em nossa história: a abertura dos cem anos de nossa igreja, uma comemoração das primeiras sementes de fé plantadas no nosso estado. A pequena semente do Evangelho cresceu tornando-se uma grande árvore, oferecendo abrigo para todos que nela vêm se refugiar.

E lá, eu descobri algo que aqueceu o meu coração: nossa igreja nasceu das misericórdias do Senhor sobre uma mãe perdoada! A irmã Rute, filha do pastor Joel e Signe Carlson, nos disse que sua avó materna recebera de Deus um chamado missionário, mas não foi obediente à visão celestial, antes, casou-se com um homem que tinha propósitos diferentes daqueles que Deus havia-lhe preparado. Mas nos últimos dias de vida, ela pediu graça ao Senhor que lhe concedesse que pelo menos um de seus filhos dedicasse sua vida ao Reino de Deus. Deus não somente atendeu àquele clamor, como fez com que TODOS os seus filhos fossem missionários. Além de sua mãe, a irmã Signe, seus tios e uma tia dedicaram suas vidas a Deus, a ponto de um deles, sua tia, ser sacrificada na África, por amor ao Evangelho.

Eu pensei do meu lugar: que linda a misericórdia de Deus! Uma mãe aflita por não ter cumprido o chamado de sua vida roga ao Pai para que lhe perdoe e conceda-lhe a misericórdia de ter um de seus filhos envolvidos naquilo que havia rejeitado. Essa é a mensagem que lemos nas Escrituras, livro após livro: em Adão, Deus envia Sete; em Noé, um dilúvio que salva a ele e à sua família; em Abraão Deus envia Isaque, em Jacó, a bênção de ter José. Com a nação de Israel, profeta após profeta traz uma mensagem de tristeza pelo desvio e desobediência do Seu povo, mas também suspiros de um Pai amoroso, pronto para perdoa-los.

"Como posso desistir de você, Efraim? Como posso entregar você nas mãos de outros, Israel? 
...O meu coração está enternecido, despertou-se toda a minha compaixão. Não executarei a minha ira impetuosa, não tornarei a destruir Efraim. Pois sou Deus, e não homem, o Santo no meio de vocês. Não virei com ira" (Os. 11.8-9)

Deus nos ama, irmãos! Somos prova viva disso! De uma mulher quebrantada Deus levanta um povo forte aqui em Pernambuco. Esse fato foi a concepção da nossa Igreja. Hoje somos crescidos, afinal, temos 100 anos, e ainda hoje devemos refletir sobre a bondade do Senhor em nossa concepção e infância. Ele cuidou de nós, sofreu conosco, quando os nossos pais, rejeitados e ridicularizados, pregavam o Evangelho nas ruas do nosso Recife. Deus cuidou de nós como uma mãe que cuida dos seus filhos. Quando em provação e sentimento de abandono, Deus se revelou e pegou em nossos braços, como uma Pai faz com seu filho pequeno.

No fim de uma vida, uma luz de esperança se acende: vem de uma mãe, que chora sobre seus filhos. São as aljavas do Senhor que cumpririam aquele chamado rejeitado. Na nuvem mais escura, brilhou o arco da aliança de Deus. A uma mulher contrita e arrependida, Deus mostra seu favor com tanta ternura!

Como te deixaria, ó Pernambuco? Exclama o Senhor hoje. O coração do Senhor está enternecido, cheio de compaixão. Para que nos livrasse da ira, Ele não poupou o Seu próprio Filho. Essa é a paciência do nosso Deus! As ternas misericórdias do Senhor, cujos pensamentos e caminhos que nutre a respeito dos pecadores que a Ele retornam, estão tão elevadas quanto o oriente dista do ocidente. Deus sabe perdoar e nós somos frutos do perdão de Deus. Ele é fiel para te perdoar!

Nosso Deus é infinitamente justo e infinitamente misericordioso. Sua bondade mostra o quanto carecemos dele para corrigir nossas desobediências e desvios. É a bondade dEle sobre nós que nos faz triunfar. Não nos esqueçamos, irmãos, das misericórdias do Senhor. Ele é o que perdoou as iniqüidades, que sarou todas as enfermidades, que redimiu nossa vida da perdição e nos coroou de benignidade e de misericórdia. Ele não castiga para sempre nem nos trata segundo os nossos pecados, nem nos recompensa segundo as nossas iniqüidades. Ele, como fez na vida daquela mulher, quer revelar mais uma vez o Seu amor por nós, Pernambuco.

Arrepende-te! Volte para o Senhor! A misericórdia do Senhor é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos.

Bendiga ao Senhor, todos os santos de Deus! 

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!


Judite Alves

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Aqui estão as fotos desse inesquecível dia:




















Aqui estão os vídeos deste grande dia:


sábado, 14 de outubro de 2017

Lições da vida de Katharina von Bora


Katharina von Bora (1499-1552) foi a esposa do maior exponente da Reforma protestante, Martinho Lutero, e era exemplo de engajamento pela causa do Evangelho. Devido à sua personalidade forte e suas qualidades administrativas, Lutero a chamava, por vezes, de “meu senhor Käthe”, ainda que ela o chamava respeitosamente de “senhor Doutor”.

Catarina teve que ser forte, considerando que teve seis filhos, dos quais dois não alcançaram a idade adulta. Mas além dos próprios filhos, o casal chegou a criar mais oito filhos de parentes próximos. No grande convento, em que a família morava, sempre havia estudantes de teologia que alugavam quartos. Também eram acolhidas pessoas idosas e doentes, além de muitos visitantes dos mais diversos lugares que vinham a Wittenberg, para conversar com o Reformador. Lutero prezava a forma como Katharina gerenciava a casa, mas ele também a amava como educadora dos filhos e, também, como esposa que o animava em momentos de dificuldade e depressão. Katharina foi a primeira “esposa de Pastor” luterana (Pfarrfrau – Frau Pfarrer), a dona da “casa pastoral evangélica” e o modelo para as próximas gerações.


Katharina foi uma das várias freiras que logo aceitaram as idéias protestantes e depois fugiram do convento. Martinho Lutero, que encontrou maridos para algumas dessas ex-freiras, tentou várias vezes encontrar um marido para Katharina antes de se casar com ela. Eles foram casados ​​por 21 anos. Kathie morava numa casa que era, na verdade, seu antigo mosteiro. Ela cuidava de um grande jardim, pescava, cultivava e cuidava do gado.

Há muitas qualidades que aprendi com a vida dessa grande mulher de Deus. Se lermos Provérbios 31.10-31, veremos que Katharina von Bora tinha a maioria das características citadas ali:

  • Era mulher virtuosa; 
  • Tinha muito valor (um caráter invejável); 
  • Era perseverante; 
  • Cuidava dos menos favorecidos; 
  • Cuidava bem dos filhos e da sua casa; 
  • Era companheira fiel; 
  • Paciente; 
  • Trabalhadora; 
  • Humilde; 
  • Educava os filhos; 
  • Fazia sempre o bem; 
  • Era uma estudiosa da Bíblia 

Katharina descobriu a grandeza do seu papel no Reino de Deus, e assim, o domínio de Jesus começou a avançar neste mundo.

Na biografia de Martin Luther, Here I Stand, o estudioso Roland Bainton escreve: “O Lutero, que se casou para testemunhar a sua fé, na verdade fundou um lar e fez mais do que qualquer outra pessoa para determinar o tom das relações domésticas alemãs para os próximos quatro séculos”. Bainton também comenta que os primeiros escritos de Lutero sobre o casamento criam a impressão de que "o único objeto do casamento é servir como remédio para o pecado”. Mas depois de seu próprio casamento, sua ênfase mudou, e ele começou a retratar o casamento como uma "escola de caráter". Nesse sentido, o casamento tira de cena o mosteiro, considerado pela igreja Católica como o campo de treinamento da virtude e o caminho mais seguro para o céu. Lutero dizia a respeito do casamento: “É claro que o cristão deve amar a sua esposa. Ele é obrigado a amar o próximo como a si mesmo. Sua esposa é seu vizinho mais próximo. Portanto, ela deve ser sua amiga mais querida”.

Após um ano de casado, Lutero fala sobre sua “Kathe” dizendo: “minha Kathe é tudo, tão dedicada e encantadora, que não trocaria minha pobreza pelas maiores riquezas do mundo”. E mais tarde declarou: “não há na terra um laço tão doce, nem uma separação mais amarga como a que ocorre no bom casamento”.

Lutero faleceu em 1546, Katharina ainda viveu mais seis anos e viu seus filhos atingirem a idade adulta, alcançando posição de influencia na sociedade, exceto os que morreram crianças. O mais velho (Hans) estudou direito e tornou-se conselheiro da corte. O segundo (Martin) estudou Teologia, o terceiro (Paul) tornou-se um médico famoso, e a terceira filha (Margareth), pois as outras duas faleceram, casou-se com um rico prussiano. Segundo um historiador, os descendentes de Lutero que ainda vivem, descendem de sua filha Margareth, dentre eles está o ex- presidente da Alemanha, Paul Von Hindenburg.

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É emocionante resgatarmos histórias como essas! Porque vidas se deram ao Senhor, hoje podemos desfrutar do resultado de tamanha entrega.

Finalizo contando o ultimo episódio da vida de Lutero, falando em relação à Katharina von Bora, extraído do livro “Grandes Mulheres da Reforma”:
“Minha querida Kate, me mantém jovem, e em boa forma também… Sem ela, eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita de bom grado minhas viagens, e quando volto está sempre me esperando com alegria. Cuida de mim nas minhas depressões e suporta os meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho, e acima de tudo ama a Cristo. Depois Dele, ela é o maior presente que Deus já me deu nesta vida. Se algum dia vierem escrever a história de tudo o tem acontecido (A Reforma), espero que o nome dela apareça junto ao meu. Eu oro por isso…”

Ao tomar conhecimento dessa declaração Katharina respondeu: "Tudo o que tenho feito se resume a simplesmente duas coisas: ser esposa e mãe, e tenho certeza que sou uma das mães mais felizes da Alemanha”.

A vida de Katharina me lembra o que aconteceu com Jesus na casa de Lázaro: o nardo puro foi derramado sobre o Senhor. Katharina deu o seu melhor ao Senhor, por isso, onde a história da Reforma for citada, será dito seu nome, para sua memória.

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Judite Alves

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Nossos filhos precisam de socorro!




Foi noticiado ontem que uma quadrilha de menores estava roubando condomínios em São Paulo. São garotos de 11 a 15 anos que se passam por moradores ou ficam amigos de outras crianças dos prédios. Eles enganam os porteiros e entram nos apartamentos. E não são adolescentes de baixa renda, antes, são meninos de classe média. Eles entravam nos condomínios portando iPhones, hand spinners e outros equipamentos populares. Dessa forma, os porteiros nem desconfiavam das intenções destes rapazes.

Após a entrevista, uma neuropsicóloga fez um comentário. Foi curioso ouvir a opinião dela. Perguntada sobre onde estariam os pais desses jovens, a psicóloga respondeu retirando a responsabilidade dos pais e atribuindo à escola o dever de educar. Não é só a família a responsável, mas também a escola, segundo a psicóloga. Para ela, deve haver uma união entre a escola e a família. Neste ponto da entrevista, o entrevistador traz novamente as rodas para os trilhos: "Você fala da união da escola com a família, e eu penso aqui na união dos pais com os filhos". Ele foi no cerne da questão.

Precisamos, mais do que nunca, encarar de frente as responsabilidades que a vida nos dá. Temos, por herança, a mania de terceirizar tudo o que é o nosso dever. Eu digo por herança porque herdamos de Eva esse hábito. Ao ser indagada por Deus sobre suas escolhas, Eva desvia olhar de si mesma, e o põe sobre Adão. Ele, por sua vez, coloca-o sobre a serpente. O que me chama a atenção é ver o tratamento de Deus: cada um foi responsabilizado por suas más escolhas. Sobejavam-lhes direitos, eles tinham liberdade plena. Mas não eram apenas direitos; haviam deveres positivos, como cuidar do jardim, dar nomes aos animais, e um negativo: não comer da árvore do meio do jardim. Sobre este recaía uma penalidade, caso não fosse cumprido. A pena foi aplicada à ofensa e de lá até os dias de hoje, Deus nos chama à responsabilidade sobre aquilo que nos foi dado como tarefa.

Quando a Bíblia faz referência aos dias de Noé, diz que Deus viu o que acontecia sobre a terra; mas jamais pensaríamos que um dia esse versículo se cumpriria em nossos dias. Assim registra o texto sagrado: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.7). 

Tudo começou lá no Éden, como falei. Quando a mulher e o homem pecaram, se afastaram do seu Deus, trazendo danos não só a eles mesmos, mas para toda humanidade. Em todas as épocas, o inimigo buscou destruir a família e principalmente as crianças, como nos tempos de Faraó, nos tempos de Herodes, e hoje não é diferente. Por isso o apóstolo Pedro adverte–nos: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda como leão buscando a quem possa tragar, ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre nossos irmãos no mundo” (1 Pe 5.8). 

A maldade está engastada às pessoas, como o próprio Jesus disse: “Como foi nos dias de Noé, assim será na vinda do filho do homem”. Como assim? A resposta temos no livro de Gênesis, quando lemos: “A terra, porém, estava corrompida; porque toda terra havia corrompido o seu caminho”. Você sabe o que Deus estava dizendo? Que em todas as classes da sociedade havia corrupção (Gn 6.12); e ainda acrescenta: “...porque a terra está cheia de violência” (Gn 7.13). A corrupção gera violência. O primeiro casal se corrompeu e o resultado foi um filho violento que matou o próprio irmão. 

Na verdade, o mundo está assustador, e por isso, muitas pessoas escolheram morar em condomínios por questões de segurança; mas eles são surpreendidos por crianças praticando vandalismo, roubo e enganando os porteiros como se fossem moradores, a fim de engrossar a fileira da corrupção. Que mundo é esse nosso? Mais uma vez vemos desculpas esfarrapadas sendo dadas. Eu chamo de “síndrome de Adão e Eva”. Em nenhum momento, assumem sua culpa, cada um joga a culpa para o outro, e por fim, culpam a serpente. O discurso é o mesmo: porque não tem pai, são filhos de pais separados, são pobres, e assim por diante. Pasmem, as crianças as quais me refiro são de classe média e têm residências fixas!

Neste mundo pós-moderno, permeado pelo relativismo, a verdade absoluta para muitos é inexistente, os princípios que norteiam as famílias são desprezados. O mundo pós-moderno quer viver sem contradição, sem frustração e sem limite. Ninguém pode contrariar o filho, e muito menos corrigi-lo. O pai ou a mãe desta família, que deveria ter seu papel protetivo, não pode atuar ou porque delegaram a terceiros suas responsabilidades, ou porque foram impedidos de assumirem seus deveres.

Pelo amor de Deus, onde vamos parar?! Não suporto discursos vazios, profissionais do comportamento humano falarem que a escola, a família e, mormente, os pais, estão falhando no que diz respeito aos cuidados, educação, afeto e seguir o filho de perto. Não entendo o fato de que esses mesmos defendem que os filhos escolham suas próprias companhias, que os pais não devem invadir a privacidade dos filhos, entre outros comentários que são feitos que não vale a pena repetir. Que tipo de pais serão nossos filhos e netos? Que cosmovisão terão? Queridos, é hora de parar para refletirmos: o que vamos colher desta semeadura, deste mundo que só sabe o que são direitos e não conhece os seus deveres?

O mundo pós-moderno quer viver sem contradição, sem confrontação, sem contrariedades, viver de maneira linear, sem atropelos, sem dificuldades. Com esta forma de viver, sem normas, sem limites, a criança, o adolescente e o jovem são insinuados a fazer o que lhes vier à cabeça; por exemplo, se recebe um “não” dos pais ou professores, procura matá-los, se engravida sem planejar, aborta, afinal de contas, alguém já falou que o bebê só é considerado pessoa quando levado da maternidade para casa... Que disparate! Este, infelizmente, é o mundo em que estamos vivendo.


A Bíblia é um manual que nos ensina de maneira magistral como devemos nos conduzir ética, moral e socialmente. A educação, o respeito e a moral são coisas que aprendemos, adquirimos. “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens dizia Pitágoras”. O sábio escritor bíblico aconselha: “Instrui o menino no caminho que deve andar, e quando envelhecer não se desviará dele” (Pv.22.6). Que façamos assim, para que tenhamos a chance de criar filhos que sejam uma bênção para nossa família, igreja e sociedade.
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