quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia da Mulher: Um dia para Celebrar a Redenção


Ser mulher é algo difícil de explicar. Todas as palavras do mundo não expressariam todos os anseios da nossa alma. Os homens não compreendem nossas variações e sensibilidades. E aqui você pode vibrar e dizer: “Oba! A irmã Judite entende nossos dilemas!”. Mas já lhe adianto que não são somente os homens que não nos entendem. Nem mesmo outras mulheres podem perscrutar nossos anseios. Já nos decepcionamos vezes sem conta com amigas, irmãs, mães, sogras, tias, professoras, terapeutas… Talvez tenhamos mais mulheres na lista de decepções do que homens. E posso afirmar sem medo de errar que muitas vezes achamos que o universo conspira contra nós!
Somente um pode definir-nos da forma correta. Nem mesmo nós conseguimos entender muitos dos sentimentos, sensações e desejos que brotam dentro de nós. Mas há Um que nos entende, pois foi Ele Quem nos fez.
Lá no Éden, Ele percebeu o quanto o mundo precisava de nós. Depois de ter criado todas as coisas, tudo estava pronto e era bom. Até mesmo Adão já estava lá, dominando a criação e relacionando-se com o Criador. Mas faltava alguém. O toque final da criação. E então, o mesmo Criador, que afirmou que sua criação era boa, agora faz uma negativa: “Não é bom”. Como assim, “não é bom? O mundo não está perfeito? Tudo funcionando? Por quê?” Faltava a mulher, e Deus, o Criador, diz: “Não é bom que o homem esteja só”.
Percebe como somos a parte que falta? A desejada? Sim, desde nossa constituição, somos aquela parte esperada. E Ele não fez a mulher chamando-a à existência como fez com toda a natureza. Também não a fez do pó da terra, como Adão. A mulher tinha que ser especial. Ela viria para completar o homem, portanto, deveria vir da sua costela. Depois de um profundo sono, Adão acorda e vê ao seu lado, EVA!
Quando Deus a fez, chamou-a de “ezer kenegdo”. “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele [uma ezer kenegdo]” (Gênesis 2.18). E esse termo quer dizer algo como “um salva-vida ao lado de”. Já pensou como somos importantes? Deus nos colocou como alguém que salvaria vidas ao lado do homem.
A história da nossa criação diz muito sobre nós, mulheres – nossas complexidades, desejos, emoções, missão. Fomos feitas para estabelecermos relacionamentos. Deus nos fez para que estivéssemos a socorrer, conversar, brincar, ajudar, cuidar… Criou a mulher para estar envolvida em situações de risco onde ela seja peça fundamental, imprescindível na vida de outros. E como Suas criaturas, possuímos a Sua imagem, a imagem de Deus, nessa forma complexa, sensível, bela e vibrante. Assim como Deus quer que O desejemos ardentemente, nós mulheres, fomos feitas não para ser um adereço ou um prêmio para ser posto numa estante, mas para desempenharmos um papel insubstituível nesse mundo.
Como comentei no livro “Mulher: feita para frutificar”, infelizmente, desde o Éden, a mulher tem sido o alvo prioritário de satanás. De forma sutil, ele tenta argumentar conosco que não precisamos ser aquilo para o qual Deus nos designou. Podemos ser mais: mais inteligentes, mais atraentes, mais poderosas, mais felizes, mais ricas, sempre mais. Ele distorce nos nossos ouvidos as palavra de Deus, fazendo-nos crer que poderemos superar em beleza, poder e conhecimento – exatamente as áreas em que ele se exaltou e por isso foi expulso do céu.
Qual tem sido o resultado dessa desobediência? Um completo distanciamento da nossa missão primordial e redentora. Estamos tão assoberbadas, corremos de um lado para o outro. Somos importantes e donas do nosso destino. Mas falhamos naquilo para a qual fomos criadas. Lutamos para sermos importantes e deixamos vazio o lugar do papel insubstituível para o qual fomos feitas, o ezer kenegdo.
Mesmo com todas as conquistas, o que a mulher ainda mais anseia é relacionamento e profundidade. Preste atenção em você mesma: o que mais lhe preocupa? O que mais ocupa o seu pensamento? Não são as relações com outros (filhos, marido, pais, namorado, etc)? Nossas mais profundas preocupações estão sempre relacionadas a alguém. Por isso, são muitas as mulheres vazias, sem sentido na vida. Desprezar a nossa natureza é perigoso, no entanto, tem sido essa a atitude das mulheres.
O pecado deformou a imagem de Deus em nós e hoje, tememos a punição pelo nosso erro. Buscamos uma glória efêmera para só então descobrir o vazio. Deixamos de confiar em Deus para confiar na conversa do inimigo que vem para “matar, roubar e destruir”. E assim como Eva, em vez de corremos para os braços de Deus na dificuldade, nos escondemos com medo da Sua voz.
Quero abrir os seus olhos para algo que muitas mulheres não conseguem enxergar. Tudo o que nos sobreveio ou nos sobrevém na forma de rejeição, abandono, abuso, humilhação, derrota, não veio porque homens odeiam mulheres, ou porque vivemos em uma sociedade machista e patriarcal, não. A causa por trás de tanta perseguição às mulheres ao redor do mundo começou lá no Éden, e se estende pelos séculos. O inimigo, personificado na serpente, vai em busca da mulher para destruí-la. Veja como esta era a preocupação de Paulo: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3).
Ele, o inimigo, conhece a nossa natureza e imagem de Deus impressa no nosso DNA. E ele fará de tudo para destruir isso. Ele quer destruir suas emoções, seus relacionamentos, sua beleza e tirar de você todo senso de valor quando lhe desviar da sua missão.
Mulheres, precisamos mais do que tudo abrir os olhos para essa realidade. E o meu clamor é que voltemos às origens – voltemos lá para o Éden e nos aprofundemos naquEle que nos criou e nos fez para o Seu louvor e revelação da Sua glória.
O Senhor está aqui e quer restaurar a sua vida. Quer lhe dar novo valor e nova oportunidade, quer fazer de você vaso de honra no seu Reino. O Senhor diz: “Os seus inimigos dizem: ‘Sião é desprezada, ninguém se importa com ela!’ Mas eu lhe darei saúde novamente e curarei as suas feridas. Eu, o Senhor, estou falando.” (Jeremias 30.16,17)
Com Jesus, a mulher ganha novo valor e dignidade. Não são poucas as mulheres em Seu ministério e vida. Ele nunca deixou passar sem que resolvesse as questões de uma mãe aflita pela seu filho, sem que curasse doenças íntimas, absolvesse aquela de coração quebrantado, ainda que ferido. Ele marcou encontro com uma mulher cheia de aventuras sexuais, mas vazia de sentido, e deu-lhe nova razão de viver. É em Jesus que encontramos a redenção para nossas feridas na alma. Somente Ele pode esmagar a cabeça da serpente que nos seduz.
E é por isso mesmo que anos depois, Paulo, inspirado por Deus, escreve: “[A mulher] salvar-se-á dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação. (1 Timóteo 2:15). Aquela mesma mulher, outrora enganada e enredada nas redes do inimigo, pode ser redimida por um ato de escolha, voltando-se para Deus, obedecendo a Sua voz. Maria ouve a voz do Anjo e obedece. Aceita ser o instrumento de Deus ao trazer ao mundo o Filho de Deus encarnado – o salvador da humanidade.
Maria aceitou cumprir a missão e ao lado de José esteve até ver cumprida cabalmente as palavras da Profecia. Não somente ela foi salva, mas todas que, assim como ela, deixam Cristo nascer em seu interior.
“Eis que estou à porta e bato”, disse Jesus. Ele está aí, bem perto de você, batendo na porta do seu coração. Que portas precisam ser abertas para que Ele lhe cure? A porta da salvação? A porta da auto-estima? A porta do amor? A porta das emoções?
Esse Jesus veio para destruir aquele que queria nos destruir. Ele nos ama com um amor incomparável. Ele é manso, suave, totalmente admirável. E o melhor, nos ama apaixonadamente. Ele espera que O amemos, que correspondamos a este amor. Aquele que nos criou, que conhece todas as nossas imperfeições e pecados ocultos, nos ama. Normalmente escondemos os nossos defeitos com medo de não sermos amadas e aceitas. Mas Ele conhece cada um deles e ainda assim nos ama com um amor sem fim. Eu lhe pergunto: há amor maior que este? E por que rejeitamos o Seu convite?
Neste dia, ajoelhemo-nos diante de Deus e agradeçamos pelo dom supremo dado a nós, mulheres, e através de nós à humanidade: Jesus! Essa é a verdadeira honra que carregamos como mulheres. Não são as lutas sindicais, as conquistas trabalhistas ou civis, não é a liberdade e autonomia que celebramos, não. Na verdade, tudo isto maculou a imagem de Deus em nós e não temos o que comemorar quanto a essas questões. Mas, se é pra falar em mulher, se é para erguer o seu ânimo, lembremos a maior conquista da humanidade vinda no ventre de uma mulher.
Faça deste dia um momento especial para lembrar-se de como o Senhor a ama. E que apesar das nossas imperfeições, somos queridas, cortejadas e desejadas por Deus. Temos muito o que celebrar, mas não na forma do mundo. Sejamos sábias e aceitemos a remissão não somente do pecado, mas também a remissão do dia 8 de março – Dia da Mulher – resgatando a história de amor de Deus por nós, mulheres, ao longo da história.

Deus lhe abençoe, mulher!! Celebre este dia mostrando ao mundo a verdadeira identidade de Deus em sua vida como mulher.

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sábado, 4 de março de 2017

Como Ser Mulher Feminina?



Nesses últimos dias andei um pouco inquieta com a declaração de algumas mulheres que acham-se sem perspectivas. Dizem sentirem-se perdidas, sem saber na verdade quais os seus papeis como mulher. Outras até afirmam que não nasceram para desempenhar tais papeis femininos. Claro, dar conta de filhos e de marido dá trabalho sim, mas é melhor viver sua feminilidade na expressão pura da palavra. 
Há um ditado popular que diz: formiga quando quer se perder cria asas.
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O lema das tais é: "quero a minha liberdade como mulher, quero ser tudo o que puder ser". Ao ouvir tais declarações, eu me pergunto: o que é liberdade, para essas pessoas? Será que estão buscando liberdade ou querem se perder na devassidão do mundo? Há um ditado popular que diz: formiga quando quer se perder cria asas. 

Eu lhe convido a fazer um análise das mulheres que se cansaram de ser mulher, ou seja, de desenvolver seu rol social, marital ou religioso. Observe onde caíram, como estão, e são felizes. Quantas abriram mão da família, maridos e filhos e do próprio lar e o fim é a tristeza e o arrependimento e muitas vezes sem cura. 

Mas vamos dar uma olhada nas Escrituras e ponderemos nossas veredas. Não deixemos que a curiosidade do prazer passageiro, oferecidos pelo mundo, nos induza ou mine nossas forças, mas voltemos nossos olhos para Aquele que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2.7-8). É para o autor e consumador de nossa fé que devemos olhar. Ele é o nosso modelo. E o que Ele quer de nós, mulheres? Vejamos:


1. Quer que sejamos mulheres virtuosas - cheias de virtudes (Pv 31.10-31);

2. Que o seu brilho resplandeça em nossa vida (Mt 5.16);

3. Ele quer que todo nosso ser; espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis (1 Tess 5.23);

4. Que não nos envergonhemos de sermos mulher, mas devemos assumir nossa sexualidade com alegria. Deus nos fez fêmeas. Glorifiquemos a ele por isso (1 Co 7.20);

5. Que não fiquemos tristes quando a onda turva deste mundo tentar nos atingir com palavras pejorativas e ou críticas sobre nossa feminilidade, pelo contrário, Ele quer que nos alegremos nas perseguições (Mt 5.11-12);
 
6. Ele quer que saibamos que o inimigo é ardiloso e o seu desejo é nos enganar (2 Co 11.3).

Amadas minhas, há um grito na minha alma, que é o seguinte: como mulher de Deus, estou exercitando a minha feminilidade, para glória do Seu nome? Estou esforçando-me para chegar a ser mestra do bem? Estou influenciando a outras que virão após mim? 

Que Deus abra os meus e os seus olhos, amada, para que possamos saber o que Ele quer de nós e estarmos dispostas a cumprirmos seu querer, sabendo sempre que Ele nos chamou para sermos mulheres femininas e servas do Deus altíssimo. 

Concluo com um pensamento de Stasi Eldredge, que está inserido no meu ultimo livro, O Tesouro Das Emoções: 

“Mulher, você é chamada para ser uma mulher onde quer que Jesus a leve. Seja qual for seu chamado particular. Você deve seguir a direção de Jesus aonde quer que Ele for. Ele irá leva-la primeiro até Ele; e, depois, com Ele, irá leva-la ao mundo que Ele ama e precisa que você ame” (Em Busca Da Alma Feminina). 

Antes de qualquer decisão, passemos antes pelos braços de Jesus. Faça isto, mulher feminina, e viva feliz em sua feminilidade. 

Meu abraço e até a próxima.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

DEUS CASTIGA A QUEM AMA




Parece contraditória a premissa do escritor aos hebreus ao aconselhar os cristãos sobre receber com alegria a disciplina de Deus. Você pode indagar: “que Deus é esse que diz que ama e ao mesmo tempo pode me castigar?” 

Você é pai? Você é mãe? Você ama? Nunca castigou seus filhos? Vejamos então o que Ele nos instrui sobre isto.

Quando abrimos o livro da sabedoria, já nos deparamos com as seguintes palavras: “Filho meu, não rejeite a disciplina do Senhor, e não te enojes de sua repreensão, porque o Senhor repreende aquele a quem ama. Assim como o pai ao filho que quer bem” (Pv 3.11-12). Deus compara o seu amor com o amor de uma mãe (Is 49.14-15). A verdadeira mãe ama, proteje e corrige o filho que ama. Da mesma forma é nosso Deus. 

Vejamos, agora, o que diz o escritor aos hebreus: “E já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como filhos: filho meu, não desprezes a correção do Senhor, nem te desanimes quando por Ele és repreendido; pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho. É para a disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? [dê-me licença os que são da lei da palmada!] Mas, se estás sem disciplina da qual todos se tem tornado participantes, sois então bastardos e não filhos. Além disso, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem [é nosso dever dar lei, e correção aos filhos] e os olhávamos com respeito, não nos sujeitaremos muito mais ao pai dos espíritos e viveremos? Pois aqueles, por pouco tempo nos corrigiam como bem lhes parecia, mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacifico de justiça nos que por ele tem sido exercitados” (Hb 12.5-11). 

Que linda verdade! Não compreendo, sinceramente, porque hoje a palavra disciplina soa tão mal aos ouvidos de tantos educadores e de pessoas que se dizem do bem. A disciplina é um treinamento e feita com amor por aqueles que a exercitam é proveitosa. Deus, como nosso pai, nos disciplina. Às vezes usando diversos métodos, e como seus filhos devemos aceitar. A obediência simples e a submissão a Ele traz prazer à sua alma. Quando somos disciplinados, poupamos maiores problemas para nós mesmos. 

Assim como Deus disciplina, corrige e castiga, devemos, como bons pais, fazê-lo com os nossos filhos e seguramente as nossas almas terão descanso. No mundo caótico em que vivemos, a disciplina será um presente que porá em ordem a vida das nossas crianças, livrando-as de si mesmas. Ouça a Palavra de Deus e tenha forças para cumpri-la: “Aquele que poupa a vara, aborrece a seu filho; mas quem o ama, diligentemente o corrige” (Provérbios 13:24).


Deus abençoe sua vida. Alegre-se no Senhor quando for disciplinado. Isso é um sinal de que Ele lhe ama e lhe quer bem. 


Meu abraço!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Alguns Dias em Silêncio



Será que o silêncio é bom? E a solidão é benéfica? Estas são perguntas intrigantes. Será que dar um tempo a si mesma para reavaliar a vida e as atitudes é uma atitude benéfica? 

Estive pensando exatamente sobre isso nestes dias, pois estive mais reclusa, por circunstancias não escolhidas por mim, mas que a vida nos impõe. A princípio pensei comigo mesma: “se a minha vida fosse assim, eu me realizaria?”. E no meu solilóquio*, segui pensando e me auto descrevendo, desde a mais tenra idade. No momento, veio-me cenas inéditas como: eu indo com meu avô pendurada na sua cacunda, com as pernas penduradas em seu pescoço, pendendo para frente e ele cantarolando e me levando a um rio próximo para que eu e meus irmãos maiores pudessem desfrutar da paisagem e brincar  um pouco com ele. Fazendo isso, ele ajudava a minha mamãe, aliviando-a do barulho feito por nós, as crianças; e, atarefada na cozinha, ela fazia o apetitoso almoço para degustarmos mais tarde. Em seguida, pensei na adolescência com suas nuances perceptíveis da idade, o amor que se espalhava em todas as coisas, lugares e pessoas. Parecia que “onde se espremia, saía coraçõezinhos”. Pensei em como cheguei à idade adulta, na maternidade, e, por último, como foi pra mim entrar no grupo das avós, e já estou esperando o dia em que serei bisa. 

Do solilóquio passei para o colóquio**, aquela interação comunicativa com meu Deus, e comecei a derramar a minha alma ante Sua presença e dizer-Lhe do fundo da minha alma: 

“Deus, valeu a pena esse tempo contigo, sei que não escolhi nem planejei esse momento,  mas as circunstâncias me obrigaram a parar e pensar em tudo isso. Como me enriqueci! Não tive pensamento narcisístico a cerca de mim, mas com esmero e humildade eu pude ver como Davi, que Tu, oh Senhor, nos sondas e nos conhece. Pude enxergar que cada célula do meu corpo, cada tecido que o cobre foram entretecidos por Ti. Como a mulher que tricoteia com suas agulhas, como a outra que faz crochê, assim, dia após dia, Tu nos teceste no ventre de nossa mãe. Os teus olhos Deus viram o meu corpo ainda sem forma, como a que tece pega o novelo de lã, e não tem ideia do que fará. Assim o Senhor me viu e como disse Davi, no teu livro todas essas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia. Quão preciosos são para mim, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!’ (Sl 139.15-16).

Quanto eu ganhei nestes dias cinzas, mas abençoados! Revivi boas lembranças, detalhes de minha vida tão especial que, correndo, jamais iria perceber. Como também reavaliei meus valores e pude escrever minhas resoluções que pretendo seguir fielmente em 2017.

Veja, querido e querida, que aquele versículo de Paulo aos Romanos serve para qualquer circunstância vivenciada por nós: “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28). Então, não se entregue à tristeza. Em dias sombrios e adversos, busque fazer de cada momento de sua vida um hino de adoração ao seu Deus. Não, isso não é ser hipócrita, nem usar de falsa humildade. Seja verdadeiro(a): se está doendo, fale, mas também reflita. Este momento vivenciado é indelével, por isso permita-se perguntar: que tesouro eu posso extrair dele?

Agora respondo minhas perguntas: silêncio é bom? Estar sozinho é vantajoso?

Às vezes sim, e às vezes não. Depende do seu olhar. Dizia Gustavo de Melo: “o silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras”. É na solidão que o nosso ser fala a linguagem que compreendemos por mais que seja incompreensiva a outrem é ai que as máscaras não permanecem, por mais que as queiramos preservar.  

Termino com as palavras de Spurgeon: “Deus escreve com uma pena que nunca borra, fala com uma língua que nunca erra, e age com uma mão que nunca falha”. Por isso, já dizia o sábio: “no dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez esse em oposição a aquele, para que o homem nada ache que tenha de vir depois dele” (Ec 7.14).

Nosso abraço e na solidão  paremos para escutar a voz de Deus.

Feliz 2017!


Judite Alves.
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* Conversa consigo mesma, monólogo.

** Conversa entre duas pessoas, conversa íntima e confidencial.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas

Estive meditando nesta expressão nesses dias quando estamos às portas de um novo ano: novas expectativas, novos prognósticos, novas incertezas, novas esperanças para alguns… Enfim, um verdadeiro enigma para muitos. Diante disso tudo bom, mesmo é ficarmos com o que diz a Palavra de Deus: melhor é o fim do que o começo. Já meditou nisso?
O fim é melhor, pois já passamos pelo começo, pelo novo, pelo medo de enfrentar o que vem adiante. Poderíamos comparar a uma maratona. Ao observarmos uma corrida, na maioria das vezes, quem sai na frente nunca é o primeiro a chegar; só em raríssimas exceções. Em geral, quem sai com toda pujança, cansa, e muitas vezes, quando chega ao final, não alcança o primeiro lugar. A vitória não está no começo, mas em completar a carreira.
Tive uma companheira de oração na Argentina que sempre repetia uma expressão ao falar para a Igreja: “Irmãos, o prêmio da corrida não está no início, nem tão pouco para os que estão no meio, só quem leva o prêmio são os que chegam ao final da corrida”. Essa é uma verdade extremamente importante para todos aqueles que têm uma meta, um objetivo na vida.
Na Bíblia, temos várias histórias de pessoas que começaram bem e terminaram mal, outras que começaram mal e terminaram bem. Saul é um exemplo de homem que começou humilde e agradando a Deus, mas seu fim não foi nada bom. Salomão, um homem humilde a princípio, ouviu um elogio de Deus por ter pedido entendimento para discernir o que era justo, mesmo tendo a oportunidade de pedir muitos dias, ou riquezas, ou até mesmo a vida dos seus inimigos. Salomão não atentou para isso, pelo contrário, sentiu a necessidade de pedir sabedoria a Deus para saber entrar (começar) e sair (terminar) no meio de um tão grande povo, com tanta demandas. Em resposta a este pedido tão sábio, Deus lhe diz: “(…) te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti igual não houve, e depois de ti igual não se levantará. E também até o que não pediste te dei, assim riquezas como glória; de modo que não haverá um igual entre os reis, por todos os teus dias. E, se andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos, e os meus mandamentos, como andou Davi teu pai, também prolongarei os teus dias” (1 Reis 3:10-14).
Que coisa maravilhosa! Que lindo começo! Mas qual foi o fim de Salomão? Um final de tristezas por ter se desviado dos caminhos do Senhor.
Simeão, mesmo sendo um homem de idade avançada, nutria a esperança de ver o Messias. Como sabemos, esse servo de Deus sabia que o seu fim não seria amargo e sem esperança, pois confiava nas Escrituras e estava conectado ao Espírito Santo. Simeão vai ao templo exatamente no dia em que a promessa da salvação chegaria e seria apresentado, sem muita pompa, nem muita aparência, mas o Espírito deu testemunho que Aquele era o Messias enviado: “Faça o que eu lhe disse para fazer, pois chegou a hora, o final chegou, a vitória, o Salvador”. Simeão se aproxima, toma o menino nos braços e louva a Deus dizendo: “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos; luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel” (Lucas 2:28-32). Que lindo final!
Como você está plantando? Como está sua carreira? Que fim você espera?
O escritor ao Hebreus disse que devemos correr com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus – Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12.1,2). Não há dúvida que essa é uma das mais certas realidades da vida cristã: começar bem, e conseqüentemente, terminar em paz.
O apóstolo Paulo, por diversas vezes em suas cartas pastorais, exorta-nos que aquele que é atleta da fé, aquele que corre a carreira da fé, corre com um objetivo: o de agradar Àquele que o alistou para a guerra (2 Tm 2.1-15). Consideremos essas declarações não artificialmente, e, diante de verdades que nos perpassam, devemos fazer a pergunta que Davi, o homem segundo o coração de Deus, fez diante do Senhor: “Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil. Eis que fizestes meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade, todo homem por mais firme que esteja, é totalmente vaidade” (Sl 39.4-5).
Essa é uma realidade que todo homem, cedo ou tarde, experimentará: seu fim. Por isso mesmo, devemos começar e continuar a carreira da vida olhando sempre para o final de tudo. Deus disse a Daniel: “Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias” (Dn 12.13). Embora a nossa existência seja de breve duração, podemos nos alimentar das promessas de Deus, confiando que o fim será melhor que o começo.
Para os que não tem conhecimento da verdade, o fim é tenebroso, incerto, sombrio. Mas para os que têm o Senhor como Seu ajudador, sabe que Ele será o Seu guia até a morte (Sl 48.14), e até na morte se mantém confiante (Pv 14.32). Essa semana visitei uma amiga que está desenganada pelos médicos, entubada, traqueostomizada, e quando me aproximei dela, e comecei a falar-lhe da esperança e promessas de Deus, quando comecei a cantar junto ao seu ouvido – “Se a fé por vezes falta quando o sol não posso ver, a Jesus eu digo humilde, oh vem meu piloto ser” – as lágrimas rolaram de seus olhos. Ela disse “amém” e deu um glória a Deus. Cremos que se Deus quiser pode levantá-la a qualquer momento daquele estado – para proveito nosso e gozo da fé. Ou pode levá-la para Ele – o que é ainda melhor para ela. Se vivemos, somos dEle, e se morrermos, vamos para Ele. Ele é o nosso Piloto, ao começar ou ao terminar, o importante é estarmos com Ele.
Não devemos temer 2015. Que as nossas palavras, ao final deste ano, sejam como as de Jó: “Ele [o Senhor] sabe o meu caminho; provando-me ele, sairei como o ouro. Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho, e não me desviei dele. Do preceito de seus lábios nunca me apartei, e as palavras da sua boca guardei mais do que a minha porção. Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará. Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo” (Jó 23.10-14).
Se estamos na vontade do Senhor, tenhamos certeza de que em nada seremos confundidos. Nossa vida deve ter como única meta a glorificação do nome de Cristo. Se a vida ou a morte trouxer a glória para o Reino de Deus, estejamos contentes. Soframos as aflições desta vida como bom soldados de Cristo. Falemos e vivamos o amor dEle, ainda que isto nos custe a própria vida. Lembremo-nos sempre que a nossa vida terrena já morreu, somos mortos-vivos neste mundo. Morremos para o mundo e para a carne, mas ressurgimos para Deus. Ressuscitamos com Cristo e agora buscamos as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Nossa vida está escondida com Cristo em Deus e quando Ele, que é a nossa vida, se manifestar, então também nós nos manifestaremos com Ele em glória (Cl 3.1-4).
Vivamos, pois, nesta maravilhosa expectativa: a esperança da glória eterna, renunciando os prazeres mundanos e carnais, que são efêmeros. Nossa luta aqui é breve, comparada à glória que nos está reservada. “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:1-15).
Corramos essa carreira de tal maneira que alcancemos o prêmio: a herança incorruptível reservada para aqueles que honram e glorificam o nome do Senhor. Nossa corrida não é incerta; nosso combate não é em vão. Subjuguemos o nosso corpo, e o reduzamos à servidão, para que, pregando aos outros, nós mesmos não venhamos de alguma maneira a ficar reprovados (1 Coríntios 9:22-27).
Um grande abraço a todos e um feliz Ano-novo com muitas bênçãos da parte do Senhor.


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Já fechou para balanço?

Antes de você começar a ler esta postagem, faço uma sugestão: não desista da leitura, vá até ao final. O que está escrito aqui tem tudo a ver comigo e com você, então, prossiga.
Chegou um novo ano, e no começo do ano, precisamente na primeira semana, é o tempo das lojas, supermercados e comércios afins pararem para fazer balanço. Balanço significa verificar a situação de um fundo de comércio com o levantamento dos lucros e das perdas. Quando as empresas fecham para balanço, o fazem para calcular sua situação financeira em um determinado período. Na maioria dos casos, esse período compreende um ano de atividades. É de se esperar que, ao final do balanço, a situação real da empresa no que diz respeito a seus custos, benefícios e prejuízos sejam esclarecidas.
A estrutura de um balanço consiste em fazer o levantamento dos ativos (tudo o que empresa possui: bens, itens do estoque e aplicações financeiras) e dos passivos (são as obrigações financeiras da empresa: pagamentos que precisam ser realizados – o que a empresa deve). Com esses dados verifica-se o patrimônio líquido, que é exatamente a diferença entre os ativos e passivos. O que resta, ou a diferença entre ambos é o que a empresa verdadeiramente possui. Nem sempre o que a empresa apresenta ou aparenta é o que ela possui.
E o que tudo isso tem a ver conosco?
Primeiro, penso que todos nós temos a obrigação de, pelo menos uma vez ao ano, fazer um balanço de nossas vidas, de como estamos andando com Deus, como nossas palavras e ações têm agradado a Ele.
Os nossos ativos são tudo o que temos, os bens que possuímos: as riquezas espirituais concedidas a todo aquele que é sacerdote real, as bênçãos espirituais das quais Paulo falou em Efésios 1.3, bênçãos das regiões celestiais em Cristo; e os bens materiais e humanos, que são a família, o cônjuge, amigos, posses terrenas, etc.
Como está nosso saldo no que diz respeito às coisas espirituais?
Avaliemos a bênção da salvação. A Bíblia diz: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação?” (Hb 2.3). Faça uma avaliação dos dons dados por Ele decorrentes da salvação, e veja as virtudes que devemos acrescentar cada vez que fechamos para balanço.
O apóstolo Pedro nos ensinou essa verdade: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas [o ativo], para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pe 1.4-8). Aqui está nosso ativo espiritual.
Continue agora com os ativos na família: como você tratou seus familiares durante o ano? (Lembre-se: é um balanço!) Aqueles que vivem debaixo do mesmo teto com você e aqueles que vivem em outros lares, como sua mãe ou pai de idade, ou mesmo aqueles pais jovens, mas são seus pais e, portanto, precisam de sua atenção e cuidado. Como foi o tratamento com seu cônjuge? Deu o seu melhor? Se hoje você tivesse que seputá-lo (a) você se arrependeria de algo que pode fazer e deixou passar por orgulho, ou timidez, ou mesmo por outro motivo qualquer? Já pensou quantas oportunidades perdemos de dizer “te amo”, de abraçar ou dizer “você é importante para mim”? Como tem se dedicado aos filhos?
A vida é efêmera, é como a flor da erva, passando nela o hálito do Senhor deixa de existir (Is 40.7). Como você tem cuidado dos bens que Deus lhe deu? Com amor? Por mais humilde que seja sua casa, seus móveis, os utensílios da cozinha, os lençóis da cama, tudo o que temos foi que Deus nos deu, e devemos primar por eles, não desprezar o que Ele nos tem dado.
Os passivos são suas obrigações: como mãe, dona de casa, esposa, empregada, patroa, sua contribuição tem sido valiosa? Tem dado o melhor de si? Faz todas as coisas, como se ao Senhor fizesse? Como pai e marido, como o provedor e cabeça do lar, qual o seu saldo? É positivo ou negativo? E como filho(a), tem honrado os mandamentos do Senhor para sua vida? Tem deixado que o Senhor dirija os passos?
O que fica como patrimônio líquido de nossas vidas, diante dos diferentes papéis que desempenhamos? São perguntas que deixo para respondamos conforme nossa consciência. O resultado disso, por sua vez, leva-nos a suplicar a graça e misericórdia do nosso Pai, para que não nos encontremos em falta. Guarde no seu coração a passagem bíblica que diz: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas” (Fp 2.14) e “tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens” (Cl 3.23).
O que temos recebido de Deus e a forma como usamos ou administramos esses dons forma nosso patrimônio líquido, e é o que realmente possuímos. O que somos não é o que aparentamos ser, mas é o que temos no nosso interior. Por isso mesmo, temos que fechar sempre para balanço, e quando o fizermos, oremos como Davi: “Ensina-me Senhor, o teu caminho e guia-me pela vereda direita…” (Sl 27.11).
Finalmente, diz Pedro: “Portanto irmãos, procurai fazer cada vez mais firmes a vossa vocação; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” (2 Pe 1.10). Ainda não fechou pra balanço? Se precisar de ajuda, peça a Deus que Lhe dará e não lançará em rosto.
Meu abraço e tenha uma semana abençoada!


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sábado, 24 de dezembro de 2016

Jesus, O Verdadeiro Sentido do Natal


Chegamos ao final de mais um ano. E como em todos os anos, podemos ver luzes por todos os lugares, enfeites, presépios, figuras mitológicas como a daquele velhinho, sinos que tocam, anjos que cantam. Mensagens de felicitações, desejos de prosperidade, comidas, panetones, ceias fartas, festas e muita alegria marcam a vida nos últimos dias do ano. Mas será que foi assim o primeiro natal?
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Ao contrário do que vemos nos dias que antecedem o natal, o nascimento de Jesus não foi tão sentimental e festivo como estamos acostumados a ver. A encarnação do Deus Filho é uma das mais poderosas mensagens das Escrituras. Através do Verbo que se fez carne (Jo.1,14) podemos extrair para nós profundas lições para a vida aqui na terra.
Na plenitude dos tempos, no exato momento planejado por Deus para Sua encarnação, o Filho Amado do Pai torna-se como um de nós, limitado na pele sensível de um neném. Como se não bastasse tamanha humilhação – Deus tornando-se homem – Ele ainda se encarrega de preparar todo o cenário de uma forma um tanto sombria para a sua chegada: uma virgem grávida, uma manjedoura como berço, nenhuma pompa. O cenário político foi um dos piores: perseguições, massacre de crianças inocentes e uma infância escondido no Egito como refugiado. Toda a vida do Deus encarnado foi marcada pelo sofrimento, privação, humilhações e termina por receber a pior sentença para um condenado – morte de cruz. Que fim trágico!
O que aprendemos, então, acerca de Deus nesse Natal?
São várias as lições que extraímos do Filhos de Deus. A primeira delas é a lição da humildade. Ele “a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de homem e humilhou a si mesmo” (Fp. 2.7). Um tipo diferente de glória, a glória da humildade. Ele não foi um revolucionário, não tomou nenhum reino, ainda que tivesse poder para isso. Pelo contrário. Sempre que tentava o coroar rei, ele fugia. “Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça” (Mt 12.19). O seu reino em nada se assemelha com os reinos deste mundo. Nunca impôs forçadamente a sua vontade, nem repeliu os inimigos, como hoje se faz, mas veio com um poder resistível. Ele é humilde, discreto e permite que o mal coexista com ele. Fez daquele que o trairia seu discípulo e ainda lhe deu um cargo de confiança. Como o grão de mostarda (Mc 4.31), o seu Reino começa tão pequeno que as pessoas zombam dele e não vêem possibilidade alguma de sucesso. Mas, contrariando todas as expectativas e previsões do homem, seu Reino cresceu e se espalhou pelo mundo, trazendo sombra para os doentes, luz para os que andavam nas trevas e salvação para os perdidos.

natal2Pela vida de Jesus aprendemos outra lição valiosa: Deus está conosco, bem perto de nós. Ele é Emanuel, o Deus conosco (Mt 1.23). Ele não se assentou em tronos, nem construiu em torno de si uma muralha para se proteger. “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo. 1.3-14).  Ele era acessível, deixava-se ser tocado, era como um de nós. Em Jesus, conhecemos o Deus que se relaciona com o homem e que não está alheio ao seu sofrimento, nem o entregou a própria sorte. Ele está perto, sente nossas dores, entende nossos dilemas, pois ele mesmo os teve.
Aprendemos com Jesus, o Deus encarnado, que o Criador se importa com o sofrimento humano. Embora as pessoas possam inclinar-se para os ricos e poderosos, Deus se inclina para o pobre e oprimido.  “A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça” (Is 42.6). Ele era como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos (Is 53.2). Não possuiu riquezas. Ainda bebê foi embalado por sua mãe em uma manjedoura, dividiu sua cama com os animais. Na sua passagem pela Terra não tinha sequer um lugar para reclinar sua cabeça (Lc 9.58). Amigo de pescadores, amado pelas crianças, rejeitado e oprimido pelos intelectuais e poderosos. Sua opressão e rejeição foi a glória e a riqueza de muitos. Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Ele derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores (Is 53).
Ele também demonstrou que era preciso muita coragem para deixar seu trono de glória e assumir um lugar entre os seres humanos que o receberam (e o recebem) com desprezo e incredulidade. Meras criaturas, feitas por Ele mesmo, homens conhecidos pela sua violência e desprezo pelos seus iguais. Ele mesmo foi desprezado, “e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum”. Essa coragem começou na primeira noite do seu nascimento e acabou no calvário, quando ali despojou principados e potestades, e os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. Ele sabia de tudo isso, mas pelo “gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta” (Hb 12.2). Ele suportou toda essa contradição de homens pecadores contra si mesmo  e deixou-nos o exemplo de resiliência, para que nós, por Ele, sejamos fortalecidos e não desfaleçamos em nossos ânimos.
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Jesus, que “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, aquele que é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.15,16), entrou no tempo e no espaço, assumiu as limitações na pele de um nenê, enfrentou a dor da pior morte. Mas o que as pessoas viriam? Apenas um bebê, deitado em uma manjedoura. Durante sua vida ele andou como errante, foi traído, humilhado e por fim o mataram. Esta figura tão polemica para alguns, hilária para outros, mudou a história da humanidade. Sem palavras, sem força, sem guerras. A vergonha da cruz foi a sua glória. Sua morte trouxe a vida. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo. 12.24).

Em Jesus vemos o Deus que nos criou habitando entre nós, se fazendo carne. Ele, o Verbo de Deus, a Vida, veio ao mundo em carne para nos resgatar do poder da morte e nos garantir a vida eterna. Somente Ele, Jesus, pode iluminar os olhos do homem nascido em pecado. “Nele está a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo” (Jo. 1.9). Ele veio para que deixássemos de andar às escuras, e passássemos a enxergar claramente o sentido e propósito da vida na terra. Infelizmente, desde o seu nascimento em carne – quando em Belém seus pais buscavam um lugar para que nascesse – até hoje, o que mais se ouve é: “Aqui ele não pode nascer”. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12). Estes experimentam nessa vida um novo nascimento, não mais do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus, e assim podem vislumbrar o que é eterno.

É interessante notar que quando nos aproximamos de Deus através de Jesus, começamos a dar valor às pequenas coisas e tudo ganha outro significado. Não mais nos preocupamos em satisfazer-nos, mas alegramo-nos em sermos participantes dos sofrimentos de Cristo. Não conhecemos mais ninguém segundo a carne, isto é, não nos interessa mais viver para nós mesmas, pois passamos a entender que aquele que nos fez, nos amou de tal maneira que se sujeitou viver nesse corpo mortal, e, na sua carne assumiu a nossa culpa morrendo por nós para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:14-21).

Que possamos aprender pela vida do Deus encarnado – Jesus – as lições do amor, da humildade, da proximidade, do destemor e da resistência ante aos perigos da vida terrena. Que possamos ver em Jesus a esperança desse mundo perdido. O seu reino não é político e não age com a força do braço humano. O reino que Jesus nos trouxe nasce dentro de nós, no nosso coração, pela fé em Deus. De nada adianta comemorarmos o natal com presentes e festa se o natal não aconteceu dentro de nós.  O Natal foi e é um acontecimento sério que mexeu e mudou a história dos homens, dos reinos e do mundo. E quer mudar a nossa história.

Feliz Natal a todos e um novo ano cheio de esperança em Deus.
Ir Judite Alves
“O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Romanos 11.33-36)
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Meus sinceros agradecimentos...




Queremos agradecer a todos os irmãos e amigos que chegaram perto do projeto Samuel, e que de maneira direta ou indireta nos ajudaram neste ano de 2016. Que Deus vos recompense de maneira especial. A Ele tributamos toda glória, todo louvor e toda adoração.

Agradecemos ao nosso Pr Ailton, que com muito esmero cuida dos cuidadores do projeto. Aos coordenadores das áreas e suas queridas esposas que assistem as áreas onde o projeto está instalado, deixo a minha gratidão. A maioria deles acompanha o projeto e nos apoia. 

À Keila e Rosângela, nossa coordenadora pedagógica, e às coordenadoras de cada projeto com suas equipes, como também às assistentes sociais: Betânia, coordenadora da equipe,  Neia, Andreia e Elika, que são um braço forte nas comunidades e com as famílias dos assistidos. 

Não posso esquecer do Núcleo de atendimento e Aconselhamento à Família (NAAF), pelo destacado trabalho da Dra Ana Cláudia e sua equipe multidisciplinar: as psicólogas, assistentes sociais, fonoaudiólogas, pedagogas e psiquiatras, meu carinho especial a vocês. 

Ao coordenador de música,  o regente e professor Ramos. Ao pr Adriel, nosso facilitador.
À direção da nossa Fundação, muito obrigada! Deus recompense o vosso amor pelo projeto. Aos que doam mensalmente suas gotinhas de amor. Aos comerciantes da CEASA, muito obrigada. Abel e os demais donos de panificadoras que semanalmente levam pão para as crianças, como também o Banco de Alimento. A Compassion, nossa principal parceira. Ao cantor Elisio, Mayara e Claudia, da dupla Canção e Louvor. Esses cantores fizeram a diferença em Mustardinha.

Enfim, aos voluntários dentistas: Israel Junior e Paula, que cuidam carinhosamente dos nossos adolescentes e meninos. Aos doutores Amanda, Vilma, Carol, Lucia Helena e Reuel, obrigada! Vocês fazem jus à vossa vocação.

Quero homenagear duas mulheres, para concluir. Elas já não estão conosco, mas foram lutadoras pelo Projeto: a querida e inesquecível Zezé Gonzaga e a querida irmã Elza Ferreira. Seguramente receberão o galardão da parte de Deus. Deixaram muitas saudades.

Meu abraço a todos e um feliz 2017 com a benção de Deus. Se eu esqueci de você, sua recompensa será maior.

Meu abraço.



O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.
A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Amém.
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